LUIZA MAHIN
“Líder da Revolta dos Malês”= Sobre Luiza Mahin tem-se a informação de que era uma negra retinta, índole altiva e indomesticável, muito geniosa e incapaz de levar desaforo para casa, como diz o adágio popular.
Bem apessoada chegava a ser uma negra inegavelmente bonita apesar do seu temperamento rebelde e vingativo, o que fez dela uma combatente insubmissa, envolvendo-se sempre em atividades onde a condição do negro, em sua época, era posta em questão.
Segundo seu ilustre filho, Luiz Gama, Luiza Mahin teria nascido livre, na África, na Costa Mina – Nação Nagò – ali pelos idos do ano de 1812 e pertencia a etnia Jèje. Entre outros, ela vem ao Brasil na condição de escrava tendo sido desembarcada em Salvador, na Bahia.
De profissão quitandeira, o que lhe oferecia uma gama de informações, em razão de seu contato permanente com a população local, que outras negras e negros da área doméstica e do eito não possuíam, o que contribui para fazer dela uma revolucionária histórica.
Apetrechada com estes dados, não lhe fora estar sempre a par da situação reinante na Cidade de Salvador e no Brasil.
Com relação aos horrores da escravidão, seu temperamento era o de uma criatura que não aceitava bridão; tanto é que permaneceu pagã por haver recusado, terminantemente, ser ungida com “santos óleos”do batismo e a seguir os preceitos da religião católica.
Contam os fatos cristalizados pela memória popular, através da oralidade que Luiza Nahin envolveu-se, até a raiz dos cabelos, em todos os movimentos deflagrados em Salvador que tinham como objetivo dar combate ao nefando regime escravo. Assim sendo é que se afirma que na ocasião em que se deu o sangrento levante de negros, no episódio conhecido como a “Revolta dos Malês”, ocorrido em 1835, Luiza estaria à frente dos insurretos. Esta conspiração que fora brutalmente sufocada pelas autoridades da Capital baiana, não impediu que, ao escapar de seus perseguidores, partisse para a Cidade do Rio de Janeiro, onde prosseguiu a luta pelos seus irmãos de raça, acabando por ser deportada para a África, de onde nunca mais se teve notícia a seu respeito, apesar de seu filho, “Luiz Gama”, que havia se transformado no nosso “Spártaco Negro do Abolicionismo Brasileiro”, muito haver se esforçado para localizar, no Rio de Janeiro, o paradeiro de sua dileta Mãe, vendo baldados todos os seus esforços neste sentido.

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